16 de abril de 2014

Empresa sustentável, com gestão de riscos eficaz, tem melhor desempenho

Apostar em ações de empresas sustentáveis parece lógico. Mas a cultura do curto prazo e, principalmente, a dificuldade de se avaliar o ganho real para as organizações com estratégias do gênero costumam pesar contra essa tese de investimento. No longo termo, porém, o ganho costuma compensar. E com boa margem.

Pesquisa da Aon, em parceria com a Wharton School, que avaliou 361 companhias abertas em 5 continentes, mostra que os papéis de empresas com melhor gestão de riscos tiveram um índice de volatilidade 38% menor que aquelas com piores controles no período de março de 2012 a março de 2013. Entre 2010 e 2012, a vantagem foi ainda maior: 50% menos oscilação. A pesquisa levou em conta a maturidade da gestão de riscos na área social, ambiental, regulatória e econômica.

No período entre março de 2012 e março de 2013, o grupo com maior maturidade da gestão de riscos obteve um retorno médio de 18%, enquanto aqueles com controle mais precário perderam em média 10%.

O levantamento da Aon/Warthon também pesquisou cenários específicos de crise. O período entre a quebra do Lehman Brothers, em setembro de 2008, e o primeiro mês pós-evento foi um desses momentos. De acordo com a pesquisa, o mercado acionário como um todo caiu, mas as empresas com grau 5 de maturidade tiveram performance 30% superior às de grau 1.

No Brasil, o desempenho do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), da BM&FBovespa, desde o lançamento, em novembro de 2005, mostra que, no longo prazo, as companhias que incorporaram questões de responsabilidade social, ambiental e econômica, além do foco em governança, tiveram um ganho significativo sobre o conjunto geral. Enquanto o Ibovespa acumulou ganho de 62,51%, o ISE gerou mais que o dobro do retorno no período de novembro de 2005 até 14 de abril deste ano, com 142,7% de rentabilidade.

Em grande parte das empresas brasileiras, no entanto, a sustentabilidade ainda é uma realidade distante. Um estudo realizado pela empresa Sitawi com 72 companhias abertas que fazem parte do índice MSCI Brazil, mostrou que 57% tiveram incidentes relevantes em relação a temas relacionados à sustentabilidade em 2013. São problemas que vão desde incidentes graves, como trabalho escravo, a situações mais leves, como mau atendimento a clientes, explica Gustavo Pimentel, diretor-gerente da empresa.

O levantamento mapeou todos os eventos negativos, considerados como "controvérsias" em relação às questões ambientais, sociais e de governança corporativa (ESG, na sigla em inglês), praticadas pelas empresas, que representam dez setores no país. O campeão de incidentes foi o setor de telecomunicações, com mais de 26% de todos os casos - a maior parte, no entanto, relacionada a situações consideradas de severidade baixa ou moderada. "O maior foco dos problemas se relaciona a serviços prestados aos clientes, o que inclui até mesmo a queda excessiva de ligações", explica Pimentel.

O segundo setor mais controverso foi o de serviços financeiros. Segundo o estudo, excesso de espera em filas, falta de segurança e indisponibilidade de serviços lideraram a lista de problemas entre esse grupo.

O setor considerado mais crítico, no entanto, foi o de consumo cíclico ou discricionário, que inclui construtoras e incorporadoras. Esse grupo registrou o maior grau de situações consideradas severas ou muito severas. Segundo o estudo, a maior parte, 67% dos incidentes, envolveu direitos trabalhistas. Os problemas mais graves foram relacionados a trabalho em condições análogas à escravidão.

Artigo editado, publicado hoje no jornal Valor Econômico, de autoria de Sérgio Tauhata.

Para avaliar a maturidade da gestão de riscos de sua organização, utilize a planilha do QSP (gratuita) que pode ser baixada por aqui.

3 de abril de 2014

Gestão de Crises | Apresentando a PAS 200:2011, a nova referência internacional sobre o assunto

Crise = situação inerentemente anormal, instável e complexa que representa uma ameaça aos objetivos estratégicos, à reputação ou à existência de uma organização.

Esta apresentação tem como principal público-alvo executivos e profissionais com responsabilidades estratégicas, que desempenham um papel na modelagem, condução e desenvolvimento da capacidade de gerenciar crises em suas organizações.



25 de março de 2014

Auditoria Baseada em Riscos Aplicada a Sistemas de Gestão

O foco do trabalho dos auditores internos de sistemas de gestão pode mudar consideravelmente com a publicação das novas normas ISO 9001:2015, ISO 14001:2015 e ISO 45001:2016, entre outras. Por causa dos novos requisitos dessas normas e por razões de custo e eficácia, espera-se que seja dada especial ênfase à Auditoria Baseada em Riscos (ABR).

Auditoria Baseada em Riscos é um termo bastante utilizado no mundo todo, mas ainda muito mal compreendido. Este white paper tem por objetivo apresentar a abordagem do QSP para a ABR Aplicada a Sistemas de Gestão, bem como visa fornecer diretrizes básicas sobre como abordá-la e colocá-la em prática.

Este trabalho foi inspirado no Manual “Como implementar a Auditoria Baseada em Riscos nasorganizações: uma abordagem inovadora, lançado em 2007 pelo QSP.



Para baixar o white paper, entre por aqui.

18 de março de 2014

Bancos contestam norma do BC sobre gestão de riscos socioambientais

Uma norma preparada pelo Banco Central (BC) para definir a responsabilidade socioambiental das instituições financeiras preocupa os grandes bancos brasileiros, para quem a medida pode restringir o acesso ao crédito.

Esperada  para os próximos dias, a regulamentação proposta pelo BC determina que os desembolsos de crédito, financiamentos e até a prestação de serviços só sejam feitos pelos bancos depois que eles constatarem a "regularidade ambiental" dos clientes.

Esse é justamente o ponto central da controvérsia. Em conversas reservadas, fontes dos bancos alegam que o conceito de clientes é demasiadamente abrangente - vai de empresas a pessoas físicas. As instituições defendem que, no lugar de clientes, a exigência seja válida para operações específicas.

No esforço de convencer o BC a fazer ajustes no texto, os bancos têm mantido conversas constantes com o regulador. Nos encontros, manifestam preocupação em relação ao impacto que a regra pode trazer para a oferta de crédito.

O argumento da banca é que as instituições financeiras não têm poder de fiscalização e, dessa forma, seria inviável atestar se um determinado cliente está em conformidade com todas as normas, não apenas com aquelas relacionadas à operação. No limite, afirmam, até o pequeno poupador deveria ser observado.

"A atual redação aumenta o risco de a instituição financeira ser responsabilizada pela reparação de eventual dano ambiental, sob o argumento de que não foi suficientemente diligente no processo de análise de riscos", afirmava a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) em contribuição enviada em 2012 à consulta pública feita pelo BC para discutir o assunto. "A fiscalização é um dever do Estado, que detém o poder de polícia."

Para a Febraban, a exigência "propiciará o encarecimento do crédito e, eventualmente, a retração na sua oferta". A entidade defendeu que esse item fosse excluído da norma ou que tivesse a redação alterada para deixar claro até onde vai a obrigação dos bancos.

Segundo fonte que participou da discussão, o objetivo do BC ao adotar o conceito de clientes é evitar que os bancos neguem financiamento a uma operação considerada incorreta do ponto de vista ambiental, mas concedam recursos à empresa responsável pelo projeto. Ou que concedam recursos a uma obra "verde" patrocinada por uma companhia com problema ambiental em outra área.

Outro tipo de abrangência da norma que o BC apresentou aos bancos também recebeu críticas. Para eles, pelo menos em uma fase inicial, as regras socioambientais deveriam ser válidas apenas para operações de crédito com desembolso, com a exclusão do termo "produtos e serviços bancários".

A Febraban diz, em documento da consulta pública, que isso levaria as instituições a fazer a análise socioambiental na venda de produtos como processamento de folhas de pagamento e Certificados de Depósito Bancário.

Procurado, o BC não se pronunciou sobre o assunto. Os bancos também não quiseram dar entrevistas.

Apesar de isoladamente as instituições continuarem demonstrando preocupação com o tema, a Febraban adota um discurso mais ameno agora do que aquele manifestado à época da audiência pública. "O crédito cresce no Brasil há mais de uma década. Não é uma norma que vai alterar essa tendência", diz Murilo Portugal, presidente da Febraban. A expectativa da entidade é que a versão final da regulação traga algumas das mudanças sugeridas pelos bancos.

Uma minuta da regulamentação foi colocada em consulta pública pela autoridade monetária em junho de 2012. Pelo documento, os bancos terão de adotar uma política de responsabilidade socioambiental, aprovada pela diretoria e pelo conselho de administração, e se integrar às suas políticas de crédito e gestão de riscos. Também terão de designar um diretor responsável por monitorar o cumprimento das regras.

Nessa política, os bancos terão de estabelecer diretrizes que tenham em vista o impacto socioambiental de produtos e serviços financeiros, os riscos e as oportunidades em relação a mudanças climáticas e à biodiversidade e o gerenciamento do risco socioambiental. Hoje, nem todos os bancos têm regras vinculando riscos socioambientais aos de crédito.

O texto também afirma que o gerenciamento do risco socioambiental deve levar em consideração sistemas e processos que ajudem a identificar e mitigar potenciais problemas. Áreas de maior impacto ambiental, como mineração e petróleo, devem contar com parâmetros específicos.

Os bancos terão de avaliar as operações conforme o setor a que a empresa pertence, a localização do projeto a ser financiado, a documentação que ateste o cumprimento da legislação ambiental, a qualidade das garantias e a "da gestão socioambiental do cliente".

"O perímetro estabelecido pelo BC é extremamente amplo", diz o executivo da área de risco ambiental de um banco privado.

Ao mesmo tempo, o BC vai exigir que as instituições mantenham, por cinco anos, o registro de dados referente a perdas relacionadas a questões socioambientais.

"A criação de regras é válida. O problema é que não somos órgãos ambientais", afirma um executivo de uma instituição privada.

Sob a supervisão do BC, o controle socioambiental das operações bancárias vai estar sujeito a punições. Apesar de a norma não explicitar as penas às instituições em caso de descumprimento das normas, o BC tem poder de multar, intervir e até liquidar bancos.

Na visão de uma fonte ligada a um banco público, a regulamentação é bem-vinda porque vai uniformizar os procedimentos das diversas instituições. "Exigir que os bancos tenham políticas específicas para determinados setores é uma oportunidade para discutir melhor o assunto", diz. "Sustentabilidade só faz sentido se houver entrega para a sociedade."

Fonte: Valor Econômico / Talita Moreira / Carolina Mandl - 18.03.2014

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